sexta-feira, fevereiro 03, 2012
SER MÃE...
Mãe...
que dá o melhor de si e convive com a crônica sensação de que nada é o suficiente.
Mãe de carne, osso e vísceras que, ao se perceber humana,
sente-se cada vez mais distante do ideal de devoção da Santa Mãezinha.
E por isso se culpa.
Mãe que comprou o sabonete com óleos essenciais,
o iogurte com fibras, o desinfetante com cloro ativo,
a fralda com bloquigel e mesmo assim seu filho não dormiu a noite inteira,
seu marido se queixa e sua casa não é o templo limpo,
perfumado e livre de insetos que aparece na TV.
Mãe mulher, dona de casa,
profissional e amante,
que segue passo a passo as dicas das revistas femininas para conciliar seus inúmeros papéis
e virar “super”, mas ainda não encontrou sua capa.
Mãe cuja única preparação para a mais dramática mudança da sua vida
foi o cursinho da maternidade e,
se privilegiada, a decoração do quartinho e a compra do enxoval.
Mãe que vive em uma sociedade que a glorifica,
ao mesmo tempo em que a obriga a terceirizar a criação dos seus filhos.
Seja por necessidade, independência ou reconhecimento.
Como se, em qualquer um desses casos,
essa não fosse uma decisão extremamente difícil.
Mãe que se divide diariamente entre a administração do lar e da profissão,
encarando múltiplas jornadas que a levam constantemente à exaustão física e emocional.
Mãe que se dedica de corpo e alma ao significativo projeto de criar uma criança,
enfrentando um nível de cobrança superior ao de qualquer chefe ranzinza e cliente exigente.
365 dias por ano,
24 horas por dia.
E mesmo assim é percebida como alguém que não faz nada.
As vezes até por si mesma.
Mãe pobre que, quando opta pelos filhos, é acomodada.
Quando rica, é madame.
E, quando profissional, é ausente.
Verdade, crua e nua...
Mas somos Guerreiras e pelo amor, Superamos Tudo!
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