sexta-feira, novembro 20, 2009
Minhas lindinhas *.*
"Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos seus próprios filhos. É que as crianças crescem independentes de nós, como árvores tagarelas e pássaros estabanados. Crescem sem pedir licença à vida. Crescem com uma estridência alegre e, às vezes, com alardeada arrogância. Mas não crescem todos os dias de igual maneira. Crescem de repente. Um dia sentam-se perto de você no terraço e dizem uma frase com tal maturidade que você sente que não pode mais trocar as fraldas daquela criatura. Onde é que andou crescendo aquela danadinha que você não percebeu? Cadê a pazinha de brincar na areia, as festinhas de aniversário com palhaços e o primeiro uniforme do Maternal? A criança está crescendo num ritual de obediência orgânica e desobediência civil. E você está agora ali, na porta da discoteca, esperando que ela não apenas cresça, mas apareça! Ali estão muitos pais ao volante, esperando que eles saiam esfuziantes sobre patins e cabelos longos,soltos. Entre hambúrgueres e refrigerantes nas esquinas, lá estão nossos filhos com o uniforme de sua geração: incômodas mochilas da moda nos ombros.Ali estamos, com os cabelos esbranquiçados. Esses são os filhos que conseguimos gerar e amar, apesar dos golpes dos ventos, das colheitas,das notícias, e da ditadura das horas. E eles crescem meio amestrados, observando e aprendendo com nossos acertos e erros. Principalmente com os erros que esperamos que não repitam. Há um período em que os pais vão ficando um pouco órfãos dos próprios filhos. Não mais os pegaremos nas portas das discotecas e das festas. Passou o tempo do ballet, do inglês, da natação e do judô. Saíram do banco de trás e passaram para o volante de suas próprias vidas. Deveríamos ter ido mais à cama deles ao anoitecer para ouvir sua alma respirando conversas e confidências entre os lençóis da infância, e os adolescentes cobertores daquele quarto cheio de adesivos, pôsteres, agendas coloridas e discos ensurdecedores. Não os levamos suficientemente ao Playcenter, ao Shopping, não lhes demos suficientes hambúrgueres e cocas, não lhes compramos todos os sorvetes e roupas que gostaríamos de ter comprado. Eles cresceram sem que esgotássemos neles todo o nosso afeto. No princípio subiam a serra ou iam à casa de praia entre embrulhos, bolachas, engarrafamentos, natais, páscoas, piscina e amiguinhos. Sim, havia as brigas dentro do carro, a disputa pela janela, os pedidos de chicletes e cantorias sem fim. Depois chegou o tempo em que viajar com os pais começou a ser um esforço, um sofrimento, pois era impossível deixar a turma e os primeiros namorados. Os pais ficaram exilados dos filhos. Tinham a solidão que sempre desejaram, mas, de repente, morriam de saudades daquelas "pestes". Chega o momento em que só nos resta ficar de longe torcendo e rezando muito (nessa hora, se a gente tinha desaprendido, reaprende a rezar) para que eles acertem nas escolhas em busca de felicidade. E que a conquistem do modo mais completo possível. O jeito é esperar: qualquer hora podem nos dar netos. O neto é a hora do carinho ocioso e estocado, não exercido nos próprios filhos e que não pode morrer conosco. Por isso os avós são tão desmesurados e distribuem tão incontrolável carinho. Os netos são a última oportunidade de reeditar o nosso afeto. Por isso é necessário fazer alguma coisa a mais, antes que eles cresçam. Aprendemos a ser filhos depois que somos pais. Só aprendemos a ser pais depois que somos avós..."
Como eu gostaria de segurar o tempo... minhas filhas estão crescendo
e eu já começo a me sentir um pouco órfã...
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Sílvia, que postagem mais realista, verdadeira e, no fundo, "bunitinha". Eu já sou avô. Então pude ler com mais clareza tudo o que você escreveu. É exatamente isso. Só não caia num erro que eu caí e me desgastou muito. Tem uma fase, independente da idade da criança (adolescente), e mais ligada à sua maturidade, que a gente não consegue mais controlar diretamente. A gente não "manda" mais. Eu, por inexperiência, comecei a ficar bravo, chato, perseguidor... Então houve um distanciamento e chegou uma hora que eu não tinha diálogo e nem me impunha pelo "mandar". Tive que parar para pensar. Depois de muito pensar, graças a Deus retomei as "rédeas" me tornando um grande amigo. Em princípio achando tudo natural e na primeira oportunidade aconselhando com exemplos palpáveis. Agora está correndo tudo normalmente, mas foi meio penoso descobrir como conversar porque cada filho tem seu modo de pensar e de te ouvir. O que me deixou surpreso foi o meu filho dizer para um amigo: Olha, eu vou fazer isso desse jeito porque o meu pai faz assim e ele é muito cuidadoso.
ResponderExcluirAí percebí que o exemplo que se dá é mais importante do que ficar falando que nem uma matraca. E pior ainda é se fala uma coisa e faz outra, kkk! Mas é vivendo e aprendendo, né Sílvia. Achei muito linda essa sua postagem. Você vai se sair bem nesse "abandono" porque já está observando desde agora. Isso é muito bom. Um abração carinhoso. Manoel.
"como árvores tagarelas e pássaros estabanados" - me identifiquei!!!! hahaha
ResponderExcluirhein, meus filhos vão olhar as fotos e dizer bem aquilo mesmo que comentou né....rs...acho que daí eles vão entender pq a mãe deles é desse jeito, influência...haha
bzo tiaaa
e não deixa a Lu sair de shorts!!!!PELAMORDEDEUS!!!! O.o
Ai, ai...me deu um aperto no coração, agora...
ResponderExcluirNessas horas é que vejo meu egoísmo, sabe, Silvia? Não sei se vou saber lidar direito com o crescimento dos meus filhos, embora tenha certeza de que vou educá-los para serem independentes.
Paradoxos da maternidade, enfim.
* Parabéns pelas filhas lindas! ^^
Beijos de bom fds!
ℓυηα
Titiaaa
ResponderExcluirpodexá que hj não me empolgo na dormidinha...rs...
ahuahauha
bzooo